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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Divulgando…

Terça-feira, 22 de agosto de 2012
Ano 9 - nº 195

Unidade por por Terra, Território e Dignidade!

Os movimentos sociais do campo, que se reuniram nesta semana no Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas, em Brasília, lançaram uma declaração conjunta que representa uma demonstração de articulação e unidade política dos camponeses, pequenos agricultores, sem-terra, indígenas e quilombolas, além de ambientalistas, defensores dos direitos humanos e estudantes que participaram dessa construção.
O encontro é uma resposta aos desafios do nosso país para superar a desigualdade na distribuição da terra, que se mantém inalterada desde a década de 20, mas com riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais em consequência da especialização primária da economia.
O projeto capitalista em curso no Brasil, representado no campo pelo agronegócio, tem como objetivo a acumulação de capital no setor primário, servindo aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo por meio das transnacionais.
A ofensiva desse projeto causa o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras dos povos do campo, das águas e das florestas. Além disso, impede a realização da reforma agrária, a demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas.
Por outro lado, tem impactos sociais e ambientais negativos, com o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação ambiental.
O encontro demonstra que é indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite a natureza e gere dignidade no campo.
Para isso, é necessário realizar a Reforma Agrária, defender a nossa soberania territorial, garantir a  a soberania alimentar, desenvolver a agroecologia, com a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção e educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para a emancipação.
Abaixo, leia a declaração final do Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas.  

Por Terra, Território e Dignidade!

Após séculos de opressão e resistência, “as massas camponesas oprimidas e exploradas”, numa demonstração de capacidade de articulação, unidade política e construção de uma proposta nacional, se reuniram no “I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas sobre o caráter da reforma agrária”, no ano de 1961, em Belo Horizonte. Já nesse I Congresso os povos do campo, assumindo um papel de sujeitos políticos, apontavam a centralidade da terra como espaço de vida, de produção e identidade sociocultural.
Essa unidade e força política levaram o governo de João Goulart a incorporar a reforma agrária como parte de suas reformas de base, contrariando os interesses das elites e transformando-se num dos elementos que levou ao golpe de 1964. Os governos golpistas perseguiram, torturaram, aprisionaram e assassinaram lideranças, mas não destruíram o sonho, nem as lutas camponesas por um pedaço de chão.
Após décadas de resistência e denuncias da opressão, as mobilizações e lutas sociais criaram condições para a retomada e ampliação da organização camponesa, fazendo emergir uma diversidade de sujeitos e pautas. Junto com a luta pela reforma agrária, a luta pela terra e por território vem afirmando sujeitos como sem terra, quilombolas, indígenas, extrativistas, pescadores artesanais, quebradeiras, comunidades tradicionais, agricultores familiares, camponeses, trabalhadores e trabalhadoras rurais e demais povos do campo, das águas e das florestas. Neste processo de constituição de sujeitos políticos, afirmam-se as mulheres e a juventude na luta contra a cultura patriarcal, pela visibilidade e igualdade de direitos e dignidade no campo.
Em nova demonstração de capacidade de articulação e unidade política, nós homens e mulheres de todas as idades, nos reunimos 51 anos depois, em Brasília, no Encontro Nacional Unitário de Trabalhadores e Trabalhadoras, Povos do Campo, das Águas e das Florestas, tendo como centralidade a luta de classes em torno da terra, atualmente expressa na luta por Reforma Agrária, Terra, Território e Dignidade.
Nós estamos construindo  a unidade em resposta aos desafios da desigualdade na distribuição da terra. Como nos anos 60, esta desigualdade se mantém inalterada, havendo um aprofundamento dos riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais, em conseqüência da especialização primária da economia.
A primeira década do Século XXI revela um projeto de remontagem da modernização conservadora da agricultura, iniciada pelos militares, interrompida nos anos noventa e retomada como projeto de expansão primária para o setor externo nos últimos doze anos, sob a denominação de agronegócio, que se configura como nosso inimigo comum.
Este projeto, na sua essência, produz desigualdades nas relações fundiárias e sociais no meio rural, aprofunda a dependência externa e realiza uma exploração ultrapredatória da natureza. Seus protagonistas são o capital financeiro, as grandes cadeias de produção e comercialização de commodities de escala mundial, o latifúndio e o Estado brasileiro nas suas funções financiadora – inclusive destinando recursos públicos para grandes projetos e obras de infraestrutura – e (des)reguladora da terra.
O projeto capitalista em curso no Brasil persegue a acumulação de capital especializado no setor primário, promovendo super-exploração agropecuária, hidroelétrica, mineral e petroleira. Esta super-exploração, em nome da necessidade de equilibrar as transações externas, serve aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo através das transnacionais do agro e hidronegócio.
Este projeto provoca o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras dos povos do campo, das águas e das florestas. Suas conseqüências sociais e ambientais são a não realização da reforma agrária, a não demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas, o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação ambiental. Há ainda conseqüências socioculturais como a masculinização e o envelhecimento do campo pela ausência de oportunidades para a juventude e as mulheres, resultando na não reprodução social do campesinato.
Estas conseqüências foram agravadas pela ausência, falta de adequação ou caráter assistencialista e emergencial das políticas públicas. Estas políticas contribuíram para o processo de desigualdade social entre o campo e a cidade, o esvaziamento do meio rural e o aumento da vulnerabilidade dos sujeitos do campo, das águas e das florestas. Em vez de promover a igualdade e a dignidade, as políticas e ações do Estado, muitas vezes, retiram direitos e promovem a violência no campo.
Mesmo gerando conflitos e sendo inimigo dos povos, o Estado brasileiro nas suas esferas do Executivo, Judiciário e Legislativo, historicamente vem investindo no fortalecimento do modelo de desenvolvimento concentrador, excludente e degradador. Apesar de todos os problemas gerados, os sucessivos governos – inclusive o atual – mantêm a opção pelo agro e hidronegócio.
O Brasil, como um país rico em terra, água, bens naturais e biodiversidade, atrai o capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territórios e populações indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. Externamente, o Brasil vem se tornando alavanca do projeto neocolonizador, expandindo este modelo para outros países, especialmente na América Latina e África.
Torna-se indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite a natureza e gere dignidade no campo. Ao mesmo tempo, o resgate e fortalecimento dos campesinatos, a defesa e recuperação das suas culturas e saberes se faz necessário para projetos alternativos de desenvolvimento e sociedade.
Diante disto, afirmamos:
1)       a reforma agrária como política essencial de desenvolvimento justo, popular, solidário e sustentável, pressupondo mudança na estrutura fundiária, democratização do acesso à terra, respeito aos territórios e garantia da reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.
2)      a soberania territorial, que compreende o poder e a autonomia dos povos em proteger e defender livremente os bens comuns e o espaço social e de luta que ocupam e estabelecem suas relações e modos de vida, desenvolvendo diferentes culturas e  formas de produção e reprodução,  que marcam e dão identidade ao território.
3)      a soberania alimentar como o direito dos povos a definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação adequada a toda a população, respeitando suas culturas e a diversidade dos jeitos de produzir, comercializar e gerir estes processos.
4)      a agroecologia como base para a sustentabilidade e organização social e produtiva da agricultura familiar e camponesa, em oposição ao modelo do agronegócio. A agroecologia é um modo de produzir e se relacionar na agricultura, que preserva a biodiversidade, os ecossistemas e o patrimônio genético, que produz alimentos saudáveis, livre de transgênicos e agrotóxicos, que valoriza saberes e culturas dos povos do campo, das águas e das florestas e defende a vida.
5)      a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção e o seu fortalecimento por meio de políticas públicas estruturantes, como fomento e crédito subsidiado e adequado as realidades; assistência técnica baseada nos princípios agroecológicos; pesquisa que reconheça e incorpore os saberes tradicionais; formação, especialmente da juventude; incentivo à  cooperação, agroindustrialização e comercialização.
6)      a necessidade de relações igualitárias, de reconhecimento e respeito mútuo, especialmente em relação às mulheres, superando a divisão sexual do trabalho e o poder patriarcal e combatendo todos os tipos de violência.
7)      a soberania energética como um direito dos povos, o que demanda o controle social sobre as fontes, produção e distribuição de energia, alterando o atual modelo energético brasileiro.
8)      a educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para a emancipação dos sujeitos, que surgem das experiências de luta pelo direito à educação e por um projeto político-pedagógico vinculado aos interesses da classe trabalhadora.  Elas se contrapõem à educação rural, que tem como objetivo auxiliar um projeto de agricultura e sociedade subordinada aos interesses do capital, que submete a educação escolar à preparação de mão-de-obra minimamente qualificada e barata e que escraviza trabalhadores e trabalhadoras no sistema de produção de monocultura.
9)      a necessidade de democratização dos meios de comunicação, hoje concentrados em poucas famílias e a serviço do projeto capitalista concentrador,  que criminalizam os movimentos e organizações sociais do campo, das águas e das florestas.
10)   a necessidade do reconhecimento pelo Estado dos direitos das populações atingidas por grandes projetos, assegurando a consulta livre, prévia e informada e a reparação nos casos de violação de direitos.
Nos comprometemos:
1- a fortalecer as organizações sociais e  a intensificar o processo de unidade entre os trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas, colocando como centro a luta de classes e o enfrentamento ao  inimigo comum, o capital e sua expressão atual no campo, o agro e hidronegócio.
2-    a ampliar a unidade nos próximos períodos, construindo pautas comuns e processos unitários de luta pela realização da reforma agrária, pela reconhecimento, titulação, demarcação e desintrusão das terras indígena, dos territórios quilombolas e de comunidades tradicionais, garantindo direitos territoriais, dignidade e autonomia.
3-    a fortalecer a luta pela reforma agrária  como bandeira unitária dos trabalhadores e trabalhadoras e povos do campo, das águas e das florestas.
4-    a construir e fortalecer alianças entre sujeitos do campo e da cidade, em nível nacional e internacional, em estratégias de classe contra o capital e em defesa de uma sociedade justa, igualitária, solidária e sustentável.
5-    a lutar pela transição agroecológica massiva, contra os agrotóxicos, pela produção de alimentos saudáveis, pela soberania alimentar, em defesa da biodiversidade e das sementes.
6-    a construir uma agenda comum para rediscutir os critérios de construção, acesso, abrangência, caráter e controle social sobre as políticas públicas, a exemplo do PRONAF, PNAE, PAA, PRONERA, PRONACAMPO, pesquisa e extensão, dentre outras, voltadas para os povos do campo, das águas e das florestas.
7-  a fortalecer a luta das mulheres por direitos, pela igualdade e pelo fim da violência.
8-  a ampliar o reconhecimento da importância estratégica da juventude na dinâmica do desenvolvimento e na reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.
9-  a lutar por mudanças no atual modelo de produção pautado nos petro-dependentes, de alto consumo energético.
10-  a combater e denunciar a violência e a impunidade no campo e a criminalização das lideranças e movimentos sociais, promovidas pelos agentes públicos e privados.
11- a lutar pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre a morte e desaparecimento forçado de camponeses, bem como os direitos de reparação aos seus familiares, com a criação de uma comissão camponesa pela anistia, memória, verdade e justiça para incidir nos trabalhos da Comissão Especial sobre mortos e desaparecidos políticos, visando a inclusão de todos afetados pela repressão.
Nós, trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas exigimos o redirecionamento das políticas e ações do Estado brasileiro, pois o campo não suporta mais.  Seguiremos em marcha, mobilizados em unidade e luta e, no combate ao nosso inimigo comum, construiremos um País e uma sociedade justa, solidária e sustentável.
Brasília, 22 de agosto de 2012.
Associação das Casas Familiares Rurais (ARCAFAR)
Associação das Mulheres do Brasil (AMB)
Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA)
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)
Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
CARITAS Brasileira
Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ)
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)
Comissão Pastoral da Pesca (CPP)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)
Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (FETRAF)
FASE
Greenpeace
INESC
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento Camponês Popular (MCP)
Movimento das Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Oxfam Brasil
Pastoral da Juventude Rural (PJR)
Plataforma Dhesca
Rede Cefas
Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF)
SINPRO DF
Terra de Direitos
Unicafes
VIA CAMPESINA BRASIL

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Trocando em miúdos, vez por outra?

“As multinacionais são as que têm o poder de fato em nosso país", diz Lugo

3 de agosto de 2012

Por Luiz Felipe Albuquerque
Da Página do MST

 

“Existe um poder à sombra. São esses os autênticos poderes que não mostram o rosto, mas que decidem.”

Sob esta percepção que o presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, realizou a coletiva de imprensa destinada a veículos de comunicação de caráter mais alternativo, nesta quinta-feira (2), em São Paulo.

Dentro das análises feitas pelo ex-presidente, talvez a que mais tenha se destacado são as forças políticas e econômicas por detrás do golpe de estado que aconteceu no Paraguai no último dia 21 de junho de 2012.

Bem como pontuara Lugo, o poder que está às escondidas. “Quando comecei na política (como presidente) me disseram que quase 70% do se passa no Paraguai se decide fora do país. Eu não quis acreditar. Mas hoje em dia, pela experiência pela qual passamos, não descarto mais essa possibilidade”, ratificou.

Dentre as forças que não mostram a cara, há um poder que se sobressai, de acordo com Lugo: o poder do agronegócio.

Na sua observação, isso se dá pelo fato das duas primeiras medidas econômicas – num conjunto de quatro - tomadas pelo Ministério da Fazenda levam a refletir sobre a “ingerência desses poderes de fato na política paraguaia”.

A primeira decisão econômica anunciada pelo novo ministro, segundo Lugo, fora em relação a não tributação sobre as exportações de soja. “Paraguai é o quarto país exportador de soja do mundo, e possivelmente é o único país que não se tem um imposto sobre a exportação da soja”, destacou.

A segunda medida foram as “boas vindas dadas a todo tipo de sementes transgênicas”, ironizou. De acordo com ele, em seu governo houve um trabalho em recuperar o cultivo de sementes nativas, e em contrapartida, os grandes produtores de sementes transgênicas combatiam ao alegarem sobre a suposta ineficácia desse tipo de cultivo. “Entretanto, houve uma grande recuperação do milho, do feijão, do algodão, tudo com sementes nativas, nacionais. O que aconteceu foi um rechaço das empresas internacionais com o que se vinha trabalhando”.

“Essas multinacionais são as que têm poder de fato em nosso país. Lastimosamente, assim como em muitos países, a classe política atua como um braço largo desses poderes de fato”, denunciou.

A relação com os agrotóxicos – um braço dessas mesmas indústrias - tampouco é deixada de lado pelo ex-presidente.

Ao comentar que quase 70% dos agrotóxicos que entravam no país se inseriam ilegalmente, outra curiosidade é colocada por Lugo: a mudança do diretor do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes (Senave) logo após o golpe, o empresário de agroquímicos Jaime Ayala, um dos que contrabandeava agrotóxicos, segundo Lugo. Além disso, Ayala foi responsável por, logo em seguida, liberar a comercialização de uma série de sementes transgênica, sobretudo da transnacional Monsanto.

Questão Agrária

Dentro da grave crise política pela qual passa o Paraguai, o presidente deposto coloca como o principal desafio do país alterar a estrutura político-econômica da propriedade privada da terra.

Para se ter uma ideia do problema agrário do país vizinho, o Paraguai é o país com maior concentração de terras do mundo, de modo que cerca de 2% dos proprietários rurais são donos de mais de 80% das terras agrícolas do país.

Sobre essa questão, Lugo apresentou um dado um tanto quanto curioso: dentro dos 406.752 Km² de extensão do país, somado todos os títulos de propriedade de terra chega-se aos absurdos 529.000 km². Ou seja, a quantidade de propriedade é maior do que o tamanho do próprio país, o que demonstra o quanto há de terras griladas por parte dos grandes fazendeiros no Paraguai.

“Tem que se ter uma coisa bem clara na folha de luta: o primeiro desafio é elaborar uma mudança estrutural da propriedade da terra no Paraguai. Não é fácil, mas não é impossível”, acredita.

Nesse sentido, Lugo fala sobre a necessidade de se convocar uma assembleia constituinte, uma vez que a constituição Paraguaia é a fotografia da atual situação.

Golpes e Recursos Naturais

“Há um tema que temos conversado muito na região e que tem uma grande conotação política: os recursos naturais. Eu não sei em que país será, mas o próximo golpe será onde as multinacionais quiserem ter acesso direto e livre aos recursos naturais na América Latina”, destacou.

Nesse sentido, Lugo pontuou a existência de diferentes blocos de países na América Latina, com características próprias, com lógicas econômicas distintas e posicionamentos ideológicos diferenciados, mas que toda essa movimentação da última década na tentativa de uma articulação e interação do continente, provocou uma contrarreação de setores nacionais e internacionais antagônicos a essa nova proposta.

“Hoje, depois do Paraguai, acredito que qualquer país tem que estar alerta”, afirmou ao colocar os recursos naturais enquanto um tema para se ter uma atenção especial.

“O mais importante é estarmos atento às novas formas e modos de golpe. O golpe tem muitos rostos hoje em dia. Uma multinacional pode sacar do Congresso Nacional uma lei que a beneficie, ou pode mudar um presidente, em qualquer lugar

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Associação dos Produtores do Bairro Taquaral participará dos projetos Micro Bacias 2011

Associação dos Produtores do Bairro Taquaral, do Projeto de Assentamento Antonio Conselheiro (Guarantã-SP), está se organizando para elaborar uma proposta a ser encaminhada ao projeto de Micro Bacias - na modalidade de Iniciativas de Negócios.

Da esquerda para direita: João, Presidente da Associação dos Produtores do Bairro Taquaral ;
Cassio - vice presidente do Isanop
e Edvaldo, também membro da diretoria da Associação Taquaral

A Associação representa cerca de 70 famílias do Assentamento, e o projeto proposto à CATI (Coordenadoria de Assistência Tècnica Integral, da Secretaria de Agrigultura e Abastecimento), é o da compra de um trator com os equipamentos necessários para o desenvolvimento da atividade leiteira nas propriedades familiares: um caminhão para coleta de leite e transporte de insumos, além de um misturador de ração para o gado. O principal objetivo da atividade proposta, será o aumento da produtividade do gado leiteiro e a consequente melhoria na renda familiar - mantendo as famílias nas propriedades e finalmente visando o fortalecimento da Associação, através do fortalecimento da organização dos produtores como um todo.
Participam deste projeto 42 produtores , destacando-se dentre eles,  18 agricultores familiares envolvidos diretamente com o projeto.
O Plano de Tabalho será desenvolvido com a parceria do Instituto Socioambiental da Noroeste Paulista, e será  entregue em meados de janeiro de 2012 à CATI, ao Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável - Microbacias II.


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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"Grupo de Mulheres Guma" do Assentamento Antônio Conselheiro

Quarta feira, 14/09/2011: "Grupo de Mulheres Guma do Assentamento Antônio Conselheiro" participam do curso de Doces Artesanais ministrado pelo Sr. Hélio, Vice prefeito de Guarantã (SP) .
Os doces serão oferecidos no dia 24 quando da inauguração das novas instalações da Associação Antônio Conselheiro. Também no próximo dia 21 elas participarão do curso de bolachinhas artesanais. As bolachinhas produzidas no curso serão distribuidas no dia da inauguração.

Por: Gisele S. M. de Sá - INCRA (Lins-SP)





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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mulheres do assentamento Pasto do Planalto participam de curso de capacitação

No último dia 08 de setembro, o grupo de mulheres da Associação dos Produtores Rurais do Projeto de Assentamento Pasto do Planalto, participaram do Curso de Processamento Artesanal de Bolachas, que foi ministrado pelas docentes Geny da Costa Oscarino e Célia Zamboni Casu.
No curso, além das noções de higiene as alunas tiveram a oportunidade de aprender as fazer bolachas e as principais  dicas quanto aos formatos e tamanhos ideiais para comercialização.
A atividade teve cerca de seis horas de duração e foram produzidas rosquinhas de limão, bolacha de côco, rosquinha de pinga, beliscão recheado com goiabada, sequilhos, bolacha de nata, rosquinhas de canela e por último salgadinho de cebola.
O curso, organizado pela técnica do Incra Gisele (de Lins SP) , consta de uma série de metas que as mulheres assumiram, segundo o cronograma enviado ao Programa Usinas do Trabalho, do Consulado da Mulher - que fazem parte desde fevereiro de 2011.
Fizeram parte do curso: Ângela, Lêssa, Luizinha, Geny, Urçula, Gessy, Cleuza, Dilza, Elza, Lúcia, Luzia, Bruna e Benedita. Nós do Instituto participamos e podemos afirmar que as bolachinhas são deliciosas!
O curso foi um importante momento de interação entre as mulheres, com troca de experiências e aprendizados! Todas, ao término, estavam satisfeitas e felizes pelo trabalho e pelo resultado alcançado, com fornadas e mais fornadas de bolachinhas, rosquinhas e biscoitos leves e saborosos.



as docentes Geni e Cèlia
Vale lembrar que todos os ingredientes para as receitas, os aventais, as máscaras, luvas e toucas foram compradas com recursos orindos da caixinha coletiva do grupo da cozinha comunitária. Trata-se do primeiro investimento feito por elas, com a finalidade do aperfeiçoamento coletivo - segundo o ponto de vista da Economia Solidária.


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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mais uma vez a Bolívia de Evo Morales sai na frente e, enquanto isto, no Brasil…

Evo Morales sanciona lei agrícola que proíbe transgênicos

O presidente da Bolívia, Evo Morales, promulgou neste domingo uma lei para fomentar o desenvolvimento agrícola em seu país, mas não estimulará a produção dos transgênicos como inicialmente informaram setores de produtores e políticos. Morales promulgou a "Lei de Revolução Produtiva Comunitária e Agropecuária" em um ato perante organizações camponesas e indígenas leais e pediu para garantirem "a segurança alimentar com soberania" do país e para manterem o apoio político a seu governo.

O ministro da Presidência, Carlos Romero, declarou à imprensa que a lei é parte do plano governamental para fomentar a produção agrícola e que antes deu outros passos como a distribuição de terras a indígenas e a camponeses e a eliminação das relações de servidão em algumas regiões rurais.

Romero enfatizou que a lei não promove o uso de sementes e de alimentos transgênicos como assinalaram dirigentes de produtores, opositores e a imprensa, e atribuiu essa versão a uma confusão sobre a norma. "A lei em nenhum momento visou promover e fomentar os transgênicos. Pelo contrário, os proíbe", afirmou o ministro da Presidência, ao assinalar que, por outro lado, protegerá o "patrimônio genético" e a riqueza da biodivesidade da Bolívia.

O objetivo é melhorar as sementes e os recursos genéticos, mas isso "não tem nada a ver com transgênicos", apontou Romero. A lei obriga também que os produtos importados tenham rótulos especiais para anunciar se têm componentes transgênicos para que os consumidores estejam informados quando comprarem os alimentos.

FONTE: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias

Extraido de http://organicosdobrasil.blogspot.com

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mulheres do Assentamento Pasto do Planalto se reunem para fazer Sardela

Aproveitando pimentões fora do padrão para comercialização, o grupo de mulheres do projeto Alimentar; Produção e Transformação de Alimentos, do Assentamento Pasto do Planalto (Guarantã SP), se reuniram ontem para por em prática uma nova receita: Sardela , usando os pimentões vermelhos que não seriam comercializados (tanto pelo tamanho quanto pelo formato) - o resultado foi uma deliciosa pasta de pimentões condimentada, muito apreciada como entrada de pratos diversos.
Cida na estufa de pimentões

Cida colhendo os pimentões
Ângela preparando a sardela

Elza e Geny preparando os ingredientes

Aângela e Rejane



Rejane e Lêssa com alguns doces produzidos (banana, mamão e abóbora)

sardela já pronta

Este projeto, tem como parceiro o ISANOP (Instituto Socioambiental da Noroeste Paulista)


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terça-feira, 5 de julho de 2011

Agricultores do assentamento Pasto do Planalto discutem projeto "leite Verde"

A reunião ocorreu dia 30/06 na área social do Assentamento Pasto do Planalto, em Guarantã SP.
O projeto visa a criação de vacas dentro de um sistema onde não é admitida  utilização de produtos químicos nem antibióticos - apenas fitoterápicos, resultando num leite com melhor qualidade, além do tratamento menos agressivo e mais humano para com os animais. Participaram da reunião além dos assentados, membros do INCRA (Gisele), membros de diversas ongs da região, inclusive do Isanop, vice prefeito de Guarantã (sr Helio), representantes do Banco do Brasil e representantes de políticos da região. O projeto está em fase de análise,mas causou grande expectativas em todos os assentados, que visualizam uma melhoria na qualidade do leite oferecido não apenas pra o consumo interno, como também para atender o mercado da região e fornecimento a merenda escolar - quando devidamente processado.
Mais informações no artigo abaixo sobre o leite ecológico:
http://www.cpt.com.br/artigos/producao-de-leite-ecologico






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domingo, 19 de junho de 2011

Coisas da terra: alguns produtos do Assentamento Vitória

A transição entre a economia de mercado sustentada pelo capitalismo e a economia baseada em valores ambientais está longe de acontecer. Mas enquanto isso, a agricultura familiar - um dos pilares da sustentabilidade, segue dando sinais de fortalecimento, apesar de todo o apoio que o governo dá aos grandes empreendimentos agrícolas e a monocultura.
Abaixo, algumas fotos produtos de dois lotes do Assentamento Vitória: Lote do Abílio e da Cida (chamado de Chácara Vilas Boas) e o do sr. Rosalino, com sua produção de pepinos e pimentões em estufas além do cultivo de hortaliças sem agrotóxicos.


As hortaliças são entregues à merenda escolar do município e vendidas em mercados da região (almeirão, rúcula, alface lisa, crespa e americana; couve, salsinha e cebolinha
Há também o cultivo de frutas, como: manga, acerola, amora, banana, jaracatiá (mamão silvestre), mamão, limão cravo, jabuticaba e goiaba.










Para ver mais fotos, clique " minhas postagens" logo abaixo:

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Grupo de Mulheres do Assentamento Pasto do Planalto fazem visita técnica

Ontem, dia 16 de junho de 2011, Urçula, Vitória e Ângela (que fazem parte do grupo e mulheres do   Projeto Alimentar: Produção e transformação de alimentos pelas mulheres do Projeto de Assentamento Pasto do Planalto junto a Whirlpoll e Consulado da Mulher (Programa Usinas do Trabalho), fizeram uma visita ao Assentamento Reunidas, na cidade de Promissão – SP. Acompanhadas da técnica do INCRA – Gisele, conheceram a cozinha da dona Cida, que produz as famosas bolachas “ Delícias da Dona Cida”.
Rosquinhas-Dona Cida=-Assentamento Reunidas 005
foto: Dodora Teixeira
 ITESP
Tiveram a oportunidade de trocar experiências e principalmente,obter informações sobre:
  •   Autorização do selo
  •   Embalagem
  •   Compromisso com o consumidor
  •   Prioridade na organização do empreendimento  e a qualidade no produto, que dever vir em primeiro lugar.
Quanto ao funcionamento da cozinha, observaram outras necessidades quanto ao funcionamento e higiene – como por exemplo, a utilização de utensílios de inox – bancadas e pias. Outra prioridade que notaram, e que anteriormente não havia sido pensada – foi a balança de precisão.
Quem se interessar pelas bolachas, entrar em contato com a dona Cida, através do telefone: (14) 9148 - 9724


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MST bloqueia rodovia e cobra assentamentos no Pará

 

Por CARLOS MENDES, 

O trecho urbano da Rodovia Transamazônica em Marabá, no sudeste do Pará, foi bloqueado na manhã de hoje por 1.500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), que cobram o assentamento de oito mil famílias, assistência técnica nos lotes já existentes e emissão de licenças ambientais. Depois de negociação com uma juíza e uma promotora, e a presença no local da Polícia Militar (PM), os manifestantes liberaram a estrada no começo da tarde.

Os procuradores da República em Marabá, Tiago Modesto Rabelo e André Casagrande Raupp, ingressaram com ação na Justiça Federal, pedindo a desocupação das vias de acesso aos órgãos públicos na área onde está localizada a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), invadido e ocupado por cinco mil agricultores sem terra desde a semana passada.

Rabelo e Raupp também cobram a desobstrução de estacionamentos públicos e das calçadas para permitir o acesso da população aos prédios da Justiça Federal, INSS e outros órgãos cujos caminhos foram ocupados pelos sem terra. O juiz federal Carlos Henrique Borlido Haddad iria despachar o pedido dos procuradores, mas preferiu aguardar a negociação realizada pela juíza da Vara Agrária, Cláudia Favacho Moura, e pela promotora Francisca Suênia de Sá, que estavam à frente da negociação com as lideranças do MST e da Fetagri.

O MST, porém, informou que não pretende sair do prédio do Incra até que seja negociada, com autoridades de Brasília, a pauta de reivindicações do movimento. A juíza, por telefone, confirmou para a próxima segunda-feira, em Brasília, uma reunião entre líderes do MST e da Fetagri e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Bandeira Florence. Os dirigentes das duas entidades pedem também as presenças na reunião do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

'Estamos cansados da enrolação do Incra com os trabalhadores rurais. Ninguém vai desocupar a sede aqui em Marabá enquanto nossas reivindicações não forem atendidas pelo governo federal', afirmou Tito Moura, um dos coordenadores do MST na região. Para a direção do Incra, a pauta dos movimentos sociais foi quase toda atendida e não há mais razão para o prédio continuar ocupado.

Segundo o superintendente do órgão em Marabá, Edson Luiz Bonetti, o orçamento triplicou para que as reivindicações fossem atendidas, principalmente com recursos para manutenção de estradas, assistência técnica e serviços de topografia nos assentamentos.

Moura rebateu, afirmando que nada ficou decidido na reunião com o Incra, porque os assentamentos que serão criados ainda estão na dependência de desapropriações, da desocupação de terras públicas e da retomada de lotes que estão em poder de grileiros. O líder do MST ameaçou 'botar oito mil sem terra' na sede do Incra se a reunião em Brasília com o ministro não contemplar integralmente a extensa pauta do movimento.

FONTE: estadao.com.br, Atualizado: 16/6/2011 18:32

Estadão

domingo, 5 de junho de 2011

Grupo de Mulheres do Assentamento Pasto do Planalto, reuni-se para implementar o projeto USINAS DO TRABALHO

Guarantã, SP
Reunião do dia 04 de Junho de 2011 do Projeto Alimentar: Produção e transformação de alimentos pelas mulheres do Projeto de Assentamento Pasto do Planalto junto a Whirlpoll e Consulado da Mulher (Programa usinas do Trabalho).

Pauta:

1) Definição do Plano de Trabalho                         
2) Formação do grupo de produção
3) Estabelecimento de regras quanto a gestão financeira
4) Estabelecimento de Regras quanto a documentação (registro das reuniões)


5) Formação de um grupo para ir a Promissão para fazer cobrança junto ao INCRA quanto ao término das obras da Cozinha Comunitária

1) Plano de Trabalho: Respeitando-se a sazonalidade, o grupo definiu que a principal meta será a produçao de doces, compotas e geléias. O grupo definiu também que o principal produto no momento será o doce de leite – pela disponibilidade da matéria prima: Doce de Leite pastoso e também em pedaços. Seguindo a meta da disponibilidade, o grupo optou pela produção do Doce de Abóbora. Depois a produção de biscoitos, pães e bolos e por último a produção dos salgados: conservas de cenoura, nabo, pepino, maxixe. Produção de molhos de pimenta, molho caseiro de tomate, tomate seco e sardela.
2) Grupo de produção é formado pelas seguintes mulheres:
• Urçula Luzia Rufino: produção do doce de leite; abóbora e goiaba

• Elza Dias Brito: participará da produção do doce de leite e abóbora, mas na época da acerola, manga e amora – produzirá geléias dessas frutas;
• Maria Angela Pedroso: além da participação na produção do doce de leite, fará o doce de mamão e doce de banana;
• Vitória Queirós da Silva: participará também na produção do doce de leite e fará o doce de acerola e abóbora;
• Aparecida Cristina da Silva: participará da produção do doce de abóbora
• Edilene dos Santos Oiveira de Almeida: participará na produção dos doces em geral, mas se adapta mais com as massas (pães, bolos)

• Martha: participará do grupo que produzirá bolachas, mas também do grupo do Doce de Leite

• Clarice Inês Barbosa Pinto: participará do grupo que produzirá bolachas, mas também do grupo do Doce de Leite

• Fátima dos Santos: Participará na produção do doce de mamão

• Izabel Cristina Pinho: Fará parte da turma dos salgados na produção de molhos de pimenta
• Marlene Odilon: Participará da turma das massas na produção de bolos. Fará parte na produção de doce de mamão e abóbora.

• Thereza de Oliveira: Fará parte na produção de doce de mamão e abóbora.

• Diva Neves: Fará parte da produçãode doce de leite e também da turma dos salgados, na produção de conservas (pickles);

• Rosa Maria Alves Pereira Fernandez: Fará parte na produção do doce de banana e dos demais doces também;
• Marinete: produzirá geléinha de pinga

• Dilza Maria: fará parte na produção do doce de leite, dos demais doces e geléias e também da turma dos salgados e panificação.

3) Regras quanto a gestão financeira: Ficou decidido a formação de um caixa coletivo para dar início a compra de insumos: embalagens, farinha de trigo, gaz de cozinha, sal, condimentos em geral, açúcar. Os utensílios não serão comprados por enquanto – cada uma usará o que dispõe em casa. Ficou decidido que cada uma contribuirá para esse caixa, com o valor de 5,00 (cinco reais) mensais – a ser pago no dia da entrega de produtos à CONAB, no barracão comunitário. A Tesoureira escolhida pelo grupo é a senhora Urçula Luzia Rufino. O valor deverá ser pago a começar deste mes de Junho corrente.

4) Estabelecimento de Regras quanto a documentação (registro das reuniões)

Ficou definido que as reuniões do grupo serão feitas uma vez por mês; que as reunões serão documentadas pelo Instituto Socioambiental da Noroeste Paulista (ISANOP), entidade parceira no empreendimento, e que também se encarregará de fazer os recibos do Caixa Coletivo para a senhora Urçula.

5) Formação de um grupo para ir a Promissão para fazer cobrança junto ao INCRA quanto ao término das obras da Cozinha Comunitária: A senhora Angela explanou a respeito de toda a problemática da obra da Cozinha Comunitária e chamou o senhor Joel (responsável por essa obra . Ele explicou a todos que a paralisação se deve por conta do escritório regional do INCRA, que encomendou a laje na cidade de Promissão (SP) e até hoje ela não chegou. A senhora Ângela (presidente da APPAPP), formará um grupo durante este semana, constituída por tres pessoas do assentamento, para cobrar as providências devidas – junto ao escritório regional do INCRA, pois esse atraso na entrega da cozinha já não se justifica mais, uma vez que a temporada de chuvas já terminou, e que esse atraso não se justifica de forma alguma.
Informes Gerais: No último dia 11 de maio, um grupo de três pessoas do assentamento participaram do Curso de Capacitação em Panificação, que aconteceu na sede do Governo do Estado de São Paulo (Palácio dos Bandeirante). Além de aprenderem a fazer inúmeras receitas de pães e roscas – a Cozinha Comunitária ganhará um Kit para panificação que consta de : 04 formas, batedeira para massas, um forno, um bujão de gáz, uma batedeira.


Assim que a cozinha esteje acabada – os participantes do curso darão uma aula de capacitação para as demais mulheres que não participaram do curso.
Serão feitas as seguintes receitas:
• Pão de forma
• Pão de Maçã
• Pão de Fubá com Goiabada
• Rosca Estrela
• Pão de Ervas
• Pão de Azeitona
• Pão de Mandioca





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domingo, 15 de maio de 2011

Assentamento Pasto do Planalto: breve reunião sobre projetos e produção livre de agrotóxicos


A zootecnista  Nádia Marangon em visita ao Assentamento Pasto do Planalto, juntamente com membros do Instituo Socioambiental da Noroeste Paulista (ISANOP), conversou sobre a  importância da compostagem orgânica e produção de alimentos livres de agrotóxicos.sp e assentamento 006
Eles ressaltaram a burocracia enfrentada para conseguir a certificação de produtos orgânicos, de todas as exigências legais para receber o selo verde e destacaram o problema enfrentado no dia a dia, pois o assentamento é cercado por produtores de laranja e de cana – que pulverizam as plantações dia e noite com veneno, inclusive de avião.
Todos temem que o vento traga os agrotóxicos utilizados pelos vizinhos, e contamine o plantio de alimentos do assentamento, assim como as águas do lençol freático e as pessoas que ali moram.
Nádia, alertou que no Brasil, são utilizados  agrotóxicos que são proibidos na maior parte do mundo, há muito tempo. Esses venenos matam qualquer tipo de vida, acabando com os predadores naturais (controle natural: como no caso da cochonilhas).
Em função dessas pulverizações feitas na cana e na laranja pelos vizinhos, as  abelhas já são raras no assentamento, e até mesmo passarinhos estão morrendo com o veneno utilizado  na monocultura de laranja e cana.
Dilza nos contou que tem pouco mais de quarenta anos, e passou a usar agora 4 medicamentos para o controle de pressão (diários), coisa que sua mãe, com quase 70 anos não precisa usar. Ela desconfia que esses venenos já estejam atacando seu organismo.
Na foto acima, Nádia analisa junto com Luiz e Dilza, um tipo de produto biológico para o  controle de nematóides, além de algumas sementes encontradas no mercado da região.
Já passou o tempo do desenvolvimento a qualquer custosp e assentamento 008 – a natureza está saturada de tanta exploração e todos somos responsáveis pelo futuro dos seres vivos neste planeta. Um novo modelo de produção  precisa ser implantado, urgente – para que a vida seja assegurada – um modelo sustentável, de equilíbrio, com um ponto de vista de preservação ambiental, em que o consumismo seja coisa de um passado que ninguém quer relembrar.


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domingo, 8 de maio de 2011

Manifesto contra as alterações no atual Código Florestal

 

Análise - 02/05/2011

O atual Código Florestal constitui um instrumento fundamental para a sociedade brasileira

 

Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (Abong)

A Abong apresenta moção contrária às alterações que estão sendo propostas para o atual Código Florestal, que querem enfraquecê-lo consideravelmente, configurando graves retrocessos à política socioambiental brasileira. O manifesto condena vários pontos da proposta do deputado Aldo Rebelo, que favorecem os grandes produtores rurais que praticam o desmatamento e que prejudicam as populações que buscam uma maneira digna de viver.

O atual Código Florestal constitui um instrumento fundamental para a sociedade brasileira, já que são as florestas e outros ecossistemas que garantem a preservação das fontes de água, a proteção do solo e a manutenção da biodiversidade.

Abaixo, leia o manifesto na íntegra.

Nós, conselheiros do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Organizações não Governamentais (ABONG), trabalhando na defesa de seus princípios e na implementação de seus objetivos, reunidos em Conselho em 12/03/2011, vimos apresentar esta moção contrária às alterações que estão sendo propostas para o Código Florestal ora vigente (lei no 4.771/65), de relatoria do deputado Aldo Rebelo, da Comissão para Revisão do Código Florestal da Câmara dos Deputados, pelos fatos abaixo descritos:

1. A criação da figura da área rural consolidada, ponto que anistia todos os desmatamentos e ocupações irregulares acontecidos até 22 de julho de 2008, inclusive em áreas protegidas, além de premiar os infratores da lei como é hoje, não traz uma solução para as ocupações irregulares, principalmente aquelas mais vulneráveis às ocorrências climáticas. Ao contrário, condena as populações que ocupam estas áreas.

2. A redução de 30 para 15 metros da área de preservação mínima para rios com largura de até cinco metros; a alteração do parâmetro para definição de Área de Preservação Permanente (APP) de margem de rio, deixando de ser o nível mais alto e passando a ser o seu leito menor; e a exclusão das várzeas do conceito de APP permitirão novos desmatamentos em 90% dos rios brasileiros sem qualquer análise de impacto, além de dispensar de recuperação áreas que hoje deveriam ser reflorestadas. O resultado impacta diretamente na qualidade de vida da população brasileira, uma vez que poderá causar erosão de solo, carregamento de fertilizantes e agrotóxicos e sedimentos para os rios, deixando-os assoreados e com a água contaminada e poluída.

3. A mudança no conceito de pequena propriedade rural para imóveis com até quatro módulos fiscais, alterando a área do módulo fiscal, poderá estimular um processo de fragmentação e desmembramento das propriedades em todo o país, principalmente dos imóveis rurais que já desmataram mais do que a lei permite para que sejam atingidos por este dispositivo e, assim, dispensados da obrigatoriedade de recompor a vegetação nativa.

4. A isenção de Reserva Legal (RL) para imóveis com até quatro módulos fiscais em todo país, sem limite de número de propriedades por proprietários, alcança todas as propriedades com ou sem vegetação no percentual exigido, dispensando a averbação – ou seja, não há reconhecimento formal e público das áreas com remanescentes -, o que poderá induzir a novos desmatamentos, que trazem prejuízos à biodiversidade e à água, portanto para toda a sociedade.

5. Ao desconsiderar quatro módulos fiscais da base de cálculo para definição da área de reserva legal nas médias e grandes propriedades, o relatório beneficia infratores ambientais, cria injustiça para com os que ainda não desmataram e estimula o desmatamento. Áreas vegetadas ainda existentes ficarão sem a proteção da reserva legal e, portanto, sem o controle mais restrito.

6. Ao permitir a compensação de reservas legais em outros estados ou por intermédio de pagamento a um fundo ambiental, o relatório propõe a quebra da lógica do código em vigor de existência de vegetação mínima por bacias hidrográficas e por estados, que garante o mínimo de proteção à biodiversidade e à água regional e localmente, além de quebrar a regra de que o dano ambiental deve ser integralmente reparado.

7. Ao estabelecer a competência para definir os critérios técnicos de recuperação da reserva legal aos órgãos do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e ao regulamento, a proposta retira do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e da consulta e debate com a sociedade civil a formulação dessas normas.

8. A redução das APPs de reservatórios artificiais de 30 para 15 metros em áreas urbanas e de 100 para 30 metros em áreas rurais e a dispensa de RL nos reservatórios para produção de energia elétrica ou abastecimento público permitirá mais desmatamentos no entorno destes reservatórios, contribuindo para o seu assoreamento e a piora da qualidade e escassez de água para a população rural e urbana.

9. O cômputo das APPs no cálculo das reservas legais, independentemente do tamanho da propriedade, reduz a extensão de áreas que poderiam ser recuperadas. Associada à criação das áreas rurais consolidadas, praticamente inviabiliza qualquer recomposição de reserva legal, pois mais de 95% do desmatamento em todos os biomas aconteceu antes da data de 22 de julho de 2008.

10. Exclui vegetação situada em altitude superior a 1.800 metros do conceito de APP, sem haver análise técnica do impacto dessa medida, que retira a proteção de áreas importantes do ponto de vista da conservação da biodiversidade.

11. Ao criar a figura do licenciamento municipal de desmatamentos nos casos de licenciamento municipal de empreendimentos, torna o licenciamento mais vulnerável à corrupção e à pressão locais. A necessidade de autorização estadual do desmatamento é uma garantia contra abusos comumente realizados contra os remanescentes florestais.

12. Ao anistiar provisoriamente, por até cinco anos e meio, desmatamentos ilegais ocorridos em reserva legal até julho de 2008, e ao declarar moratória de desmatamento por cinco anos (exceto nos casos de solicitação de licença de desmatamento até a entrada em vigor da Lei), o relatório permite que atividades ilegais em APPs, reservas legais e áreas de uso restrito continuem operando até que o poder público (estados e União) elabore, em até cinco anos contados da entrada em vigor da Lei, programas de regularização ambiental que regulamentem a forma como os produtores rurais se adequarão à legislação.

Essa medida permite que mais de 40 milhões de hectares desmatados ilegalmente entre 1996 e 2008 somente no bioma Amazônia continuem sendo utilizados pelos infratores até que o poder público elabore seus programas de regularização ambiental.

Até que haja a definitiva aprovação desta lei (que ainda deverá tramitar no Senado e receber sanção ou veto da Presidência), é possível que haja muita solicitação de desmatamento, o que anula completamente os efeitos desta moratória, que nasce completamente desacreditada pelo próprio produtor rural dado o conjunto de flexibilizações propostas exclusivamente para beneficiar aqueles que não cumprem a lei.

Fonte: Extraido do site do:

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quarta-feira, 23 de março de 2011

Vereadores da Câmara Municipal de Pirajuí encaminham Moção de Apelo em prol da Reforma Agrária na região

Reunidos na última sessão ordinária (21/03/2011) foi aprovada por unanimidade a seguinte Moção de Apelo, de autoria dos vereadores Wanderley Ferreira Grejo e Davi Henrique de Souza:
“Ao Excelentíssimo Senhor Antônio Flores Ministro do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário; Senhor Gilberto de Carvalho – Ministro do Gabinete da Presidência da República e aos Senhores Presidentes do INCRA Nacional, Rolf Hackbart e, Estadual, Raimundo Pires Silva, rogando “vênia”, para a seguinte finalidade: Que seja determinado pelos mesmos, urgentemente, a realização de cadastramento e, posterior assentamento das 190 pessoas que se encontram organizadas nos Núcleos Urbanos e de Acampamentos de Lutas pela Reforma Agrária em nosso Município na Regional do MST de Promissão/Pirajuí – São Paulo.”
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membros do movimento presentes á sessão
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Segundo informações dos participantes dos Núcleos Urbanos do MST, existem muito mais do que as 190 pessoas citadas no documento, a serem assentadas no município de Pirajuí. Informaram também  que o mesmo cadastramento  está ocorrendo nos municípios de Reginópolis, Avaí e Lins, entre outras da nossa região.
Vale lembrar que a Moção de Apelo, será enviada á Brasília, no dia 17 de Abril – dia Internacional de Luta Camponesa
Controle de las transnacionais

quinta-feira, 17 de março de 2011

Assentamento Pasto do Planalto ganha projeto junto ao Programa Usinas do Trabalho do Instituto Consulado da Mulher

 

Urçula Francisca (APPAPP); Rejane (ISANOP),; Dilza Luiz e Nathália(APPAPP)

De um total de 206 projetos recebidos de todo o Brasil, o Programa Usinas do Trabalho 2011 - do Instituto Consulado da Mulher selecionou o "Projeto Alimentar: Produção e Transformação de alimentos pelas mulheres do projeto de Assentamento Pasto do Planalto", da cidade de Guarantã.
O projeto foi elaborado em parceria com o Instituto Socioambiental da Noroeste Paulista (ISANOP - Pirajuí) que dará também, ao longo dos dois anos de duração do projeto, toda assessoria técnica necessária na elaboração dos relatórios quadrimestrais dos indicadores de andamento dos trabalhos.

Maria Ângela Lopes Pedroso,
Presidente da Associação de Produtores 
do Pasto do Planalto (APPAPP)
e responsável pelo projeto.

O grupo de mulheres do Assentamento Pasto do Planalto, receberão em breve do Programa Usinas do Trabalho, geladeiras frost free, freezers horizontais, depuradores de ar , fogões e bebedouros, equipamentos estes que serão utilizados para equipar a Cozinha Comunitária do assentamento. O objetivo maior do projeto, é a produção e posterior comercialização de compotas, geléias, doces e conservas, feitos com os alimentos cultivados e colhidos pelos assentados.
Para tanto, como também parte do compromisso firmado entre a Associação dos Produtores do Projeto de Assentamento Pasto do Planalto (APPAPP) e o Programa Usinas do Trabalho 2011, será a qualificação técnica do grupo das 15 mulheres participantes do projeto, nas áreas de gestão participativa (aos moldes da Economia Solidária), além de cursos de segurança no trabalho, higiene e cooperativismo.

Maria Ângela; Luiz e Dilza conferindo a documentação a ser encaminhada
ao Programa Usinas do Trabalho

O que este projeto fornecerá de mais importante para o grupo de mulheres, será justamente a experiência de gestão participativa - onde o próprio grupo cuidará de forma coletiva a gestão deste novo empreendimento, buscando qualidade alimentar, enriquecimento nutricional e o fortalecimento do vínculo de solidariedade entre todas as participantes.

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sábado, 5 de março de 2011

Unidos da Lona Preta Carnaval 2011

A Unidos da Lona Preta, bloco de carnaval do MST na região da Grande São Paulo, desfila em Jandira, nesta sexta-feira (4).

A concentração foi na Comuna Urbana Dom Helder Câmara,as 19h na Rua Nicolau Maevski, 491, Bairro Sol Nascente.

Há quatro anos, surgiu o bloco carnavalesco, que reúne militantes em diversas atividades tendo como eixo, além da formação política, a capacitação na área musical.

A experiência faz parte de um processo de afirmação política por meio da cultura e na organização da luta pela terra vinculada ao processo de construção de uma identidade coletiva com elementos culturais urbano e camponês.

Abaixo, conheça a letra do samba do Carnaval 2011:

 

“Plantar o pão, colher a vida: para o mundo se alimentar sem veneno”

Canta povo brasileiro

Batucada é de bamba                                                                Refrão

Hoje a Lona Preta vem dizer, dizer

A luta é o tempero do meu samba

Oh Mãe Natureza

Nós queremos a tua diversidade

De cores, sabores

Na mesa do campo e da cidade

Agroecologia

Com soberania alimentar

Pra preservar o nosso chão

Um novo mundo pede uma nova relação

Do jeito que tá, não dá pra ficar

A produção

Comida ruim ninguém aguenta, ninguém aguenta

É veneno em todo canto, em todo canto                                    Refrão

Mata gente e mata rio, e mata rio

Agronegócio a mentira do Brasil

Semente com patente é roubar a natureza

Monocultura na agricultura

Deserto verde: cadê a beleza?

Lucrando e fazendo a guerra

Matando o ser humano e a mãe terra

A luz

Do companheiro Keno

Ta na memória

De quem ocupa a avenida

Presente que aduba a sua história

Colhe o pão da vida

Fotos: Crônica Mendes